sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Quando o morador de rua que te pediu um cigarro diz "mano, tu tem cara de maluco hem?", saiba que este é um dos ápices da sua vida, rs. 
Então se rosna para ele.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

no pátio do Departamento de Música há um flamboyant ou um bougainville, também nunca sei qual, 
que germina cresce floresce sombreia e deixa cair seus vestígios vermelhos no chão.
 e não se repara.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

há muito tempo, Lyanna comentou num post:

Minha psicóloga me disse também há anos que o quarto era reflexo do interior. De onde se tira isso? Mentira, ela só queria que eu deixasse minha mãe feliz dando um jeito nos bichos que, isso sim, é abiogênese, surgiram dentro da minha gaveta. Uma grande balela, a gente nunca consegue  se arrumar por dentro. Logo, não faz sentido arrumar o quarto. Ou alguém ainda pensa que um guarda-roupa em ordem de cor é esteticamente mais viável do que as blusas nadando no chão? Que retrô.

e neste momento, grande bobeira praticalizar [????, rs] só neste momento, estou fazendo um esforço mahleriano para internalizar. blusas-no-chão-blusas-no-chão-dá-pra-viver-com-blusas-no-chão. E calças e livros e partituras e caixas, meias, fones de ouvido, celulares que o meu estragou e agora tenho dois, e sacolas e chinelos e tênis e enfim vou dormir ou amanhã acordo com o blog cheio de arrependimentos escritos.


"Depois do terremoto, que havia destruído três quartos de Lisboa, os sábios do país não encontraram um meio mais eficaz para prevenir uma ruína total do que proporcionar ao povo um belo auto-de-fé; fora decidido pela Universidade de Coimbra que o espetáculo de algumas pessoas queimadas a fogo baixo, com grande cerimonial, é um segredo infalível para impedir a terra de tremer.
[...]
A mitra e o sambenito de Cândido traziam pintados chamas inclinadas e diabos sem rabos nem garras; mas os diabos de Pangloss tinham garras e rabos e chamas verticais. Assim vestidos saíram em procissão, e ouviram um sermão seguida de bela música em fauxbourdon. Cândido foi açoitado em cadência, enquanto cantavam; o biscainho e os dois homens que não quiseram comer toicinho foram queimados, e Pangloss foi enforcado, conquanto não fosse esse o costume. No mesmo dia, a terra voltou a tremer com um estrondo assustador.
Cândido, aterrado, transtornado, desvairado, todo ensangüentado, todo palpitante, dizia consigo: 'se é este o melhor mundo possível, como serão então os outros? Vá lá que eu apenas fosse açoitado, já o fui entre os búlgaros. mas meu caro Pangloss, maior dos filósofos, era preciso ver-vos enforcar, sem saber por quê! Meu caro anabatista, o melhor dos homens, era preciso ver-vos afogar no porto! Senhorita Cunegundes, pérola das donzelas, era preciso que vos abrissem o ventre!' ".



flautim, quatro flautas, quatro oboés [corne-inglês dobrado], clarineta em mi bemol, três clarinetas em si bemol e lá, clarone, quatro fagotes [contra-fagote dobrado]
quatro trompas, três trompetes, três trombones, tuba
tímpanos, bombo, caixa, pratos, triângulo, tam-tam, três sinos, glockenspiel
duas harpas, violinos I, violinos II, violas, violoncelos, contra-baixos.


- Andante comodo.
- Im tempo eines gemächilichen Ländlers; Etwas täppisch und sehr derb.
- Burleske; Sehr trotzig.
- Sehr langsam und noch zurückhaltend.

em uma noite só, para que fique garantida a clareza.

terça-feira, 28 de setembro de 2010



não raro [ou melhor, freqüentemente, quando minha indecente relutância - em me lembrar que costumava, vez em quando, dar uma de quem escreve algo - resolve dar uma pausa] não raro escrevo sob influência de catástrofes climáticas, com o perdão de quem, de fato, já sofreu uma, rs; 
fato é que a paisagem do cerrado brasiliense se permitiu hoje ser vítima de uma tempestade de poeira que deixou tudo tão cinza, questão que me deixou com leve curiosidade por essa cidade não se dar nem ao trabalho de colorir de marrom o que era para ser azul. Mas cinza. Poeira poeira. Mas poeira pra mim é marrom. 
Enfim, passado o vento no céu, este se coloriu [e colorir aqui se torna uma palavra completamente inadequada] de cinza nos horizontes todos, e subindo, subindo, um cinza azulado, e subindo, um cinza esbranquiçado. E me sentei na sacada tentando - em divertido aproveitamento de fim de tarde - tentando decifrar se era céu-azul-acinzentado, se era nuvem de chuva carregada, se era céu-branco-acinzentado, ou se era nuvem cinza de poeira. Era tudo numa textura tão homogeneizada de cinza-azul cinza-branco e cinza-cinza que eu não sabia dizer que coisa era que coisa. 
E me diverti pensando que um dos pontos da vida é justamente esse: tentar descobrir se nuvem é céu, se céu é poeira ou se poeira é vida. No final das contas, depois de tanta seca, há de ventar para chover.
Ai ai. Tou ficando brega. 
Beijo, Ly.



terça-feira, 6 de julho de 2010



Hoje me coloquei debaixo d'água e me lavei, me lavei de o que havia ficado desde Março, água escorrendo ora vermelha, ora transparente e líquida como se é água, ora meio marrom terra, granulada e áspera como. And inside we are still wet.

Meu semestre foi o prelúdio da Traviata. Antes com ritornelos, cortes e recortes e re-exposições de temas.
Agora, meu semestre foi o prelúdio da Traviata. Da capo al fine.
Agora, hoje.


segunda-feira, 5 de abril de 2010



Na quarta-feira, sim, sei, há tempo, mas não me adapto à internet e ao blog e às suas funções de comunicação instantânea por gostar do coser e etc etc, na quarta-feira passada o céu amanheceu salpicado das nuvens novas que acabavam de se formar subindo dos tantos gramados de Brasília, eu adoro essa coisa meio fantástica da nuvem e gosto também de pensar assim [com mais uma descida, rs] da chuva, apesar de o Beto me insistir que pouquíssimas chuvas são d'água subida do chão, porque eu questionava todo o tempo o seco de Brasília [and inside, we're all still wet] se há um lago para quê. O céu estava salpicado dessas nuvens de um jeito uniforme que estava tão bonito, como que meticulosamente posicionadas, umas atrás das outras, e eu não ousaria dizer, apesar de, como alguém que, não me lembro exatamente quem nesse momento, gosta tanto de lembrar que escreveu Clarice, talvez seja eu mesmo e não me faça a ligação, apesar de, não ousaria dizer que ele estava ironicamente belo, o céu, praticamente se atrevendo a ser somente encorajador. Então fui tomar um café naquela padaria da quadra, como ainda pretendo fazer tantas e tantas vezes, mas em melhor companhia que todos meus assombros dessa quarta, meus assombros de amor e distância e saudade.



sábado, 20 de fevereiro de 2010



"Quando [Mahler] partiu para os Estados Unidos, um conclave de espíritos progressistas de Viena se reuniu para lhe dar adeus. 'Vorbei', murmurou Gustav Klimt quando seu trem arrancou."



quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


depois de tanto tempo, volto a postar num impulso um tanto bobo, admito. É que apesar de aparente tranqüilidade se passa tanta coisa pelas nossas cabeças. Sempre é assim, nada de novidade. O que aconteceu foi o seguinte:
Mariana semana passada queria tanto que eu iluminasse nossa árvore de natal. Comprei, mesmo sem poder, ando devendo meio mundo, rs, as luzinhas; coloquei todas, super cansativo, imagina só, aquilo dá um trabalho de verdade!, mas nossa casa está linda linda. Depois, todo mundo foi dormir. Peguei então uma xícara de café, que nem mais me tira o sono, e sentei no tapete da sala, de onde podia ver a árvore, que ficou bela, as plantas da sacada brilhando, todas iluminadas, assim como a porta da varanda. De canto, ainda podia ver o portal do corredor, onde colocamos uma pequena guirlanda. Tudo iluminado e nenhuma luz acesa. Foi quando pela primeira vez vislumbrei tudo por um prisma que ainda não me tinha vindo: nessas todas decisões de vida que andei passando por, estudar fora de Goiânia, traçando metas, ter aula com fulano, com beltrano, juntar dinheiro para fazer tal coisa, masterclasses não sei onde, curso de verão em tal lugar, enfim, pela primeira vez eu entendi que optei por não ver minhas irmãs crescerem, mesmo sem perceber. Deu um aperto enorme no coração. Optei por não as ver crescer. Assim como mamãe. Vou as ver estar. Não ficando. E me faz tanta diferença. Sei que de certa forma é exagero. Vou estar aqui todo fim de semana possível. Férias. Mas reclamar que não quero ir pegar a Mariana na escola é tão gostoso. Brincar com a Gabriela por causa do namorado novo é ótimo. Deitar na cama da minha mãe enquanto ela faz palavras cruzadas me deixa feliz. Todas essas coisinhas do dia que enchem a gente, seja lá do que for. Alegria, cansaço, tristeza, rotina, presença. Sou um manteigão de vez em quando, não tenho como negar, rs. Enfim, tocando a vida, fazer o quê. Não posso casar as meninas para depois prestar vestibular. O que é um saco, porque eu bem queria, rs. 
Enquanto escrevo, assisto a 6a. do Mahler. Abbado sendo o gênio que é, emocionado sempre com música, que mais se deveria pedir de um maestro tão fantástico. Fico olhando essa emoção toda e imagino o que se passa pela memória dele. O que ele deixou para trás. Será que ele estava com a mãe quando ela envelheceu? Ou só sentia de longe a alegria de mãe pelo filho satisfeito? É isso que se passa quando rege o último movimento? Os hammers misteriosos do final da 6a. sinfonia. Tudo de cor, como quem sabe o que vai sentir com cada trecho e se deixa saber e passar por tudo aquilo, mesmo que de novo e de novo, não se precisa de um gráfico para lembrar isso que vem de dentro. Se sabe o que sentir, se sabe o que reger. Mesmo que cada vez seja diferente da última.

Não deveria pensar nessas coisas por agora. Ainda nem fui aprovado. Ainda tenho tanto a estudar, fazer, ler, 
1, 2, 3, 1, 2, 3, 4, 1, 2, 1, 2, 3, 4, 5, 1, 2, 1, 2, 3, diz o final da Sagração, e nessa a gente vai indo, descompassado. 
Enfim, queria gostar menos. E isso é o que menos quero, rs. 
Blábláblá, chega de baboseira sentimentalóide por hoje. Manteiga manteiga, rs.


segunda-feira, 26 de outubro de 2009



É nessa época do ano que sol-fim-de-tarde bate no meu quarto (agora em tempo de verão, sol-início-de-noite). Então me fecho nele e fumo um cigarro, só para ver os raios amarelos que se formam através das grades. Um cigarro é mentira, venho pro quarto e fico por aqui esperando que a semana passe e faça seu trabalho. Sozinha. 
e Transbordando porque ainda tenho um cinzeiro solitário, mas, como se diz, o final de semana está aí, rs. Sorriso, right on the corner of my mouth, sorriso de lembraça. Há muito tempo disse que só fazia esquecer, lá no comecinho, bem dos primeiros posts. Ainda acontece, rs, verdade, eita cabeça ruim, but just not the same subject. Depois, há algum tempo, disse que só fazia lembrar, pff. Enquanto viajava. Dois anos, quase. 
No momento, só faço viver, porque agora não o faço só para mim. Precisa-se de mais algum motivo para? Só só esse. Ir indo e ir indo não do jeito que se vai indo com a barriga, nah, nah, do jeito que se vai indo com sorriso mesmo, com um contentamento esquisito. Com borboletas no estômago, de ser sempre um susto alegria, de todo dia ser não só mais um. 
Sorriso de orelha a orelha.




quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Rápidas brasilienses

Compreendo se alguém, algum dia, enlouquecer completamente, pirar, despirocar (ops, essa talvez melhor não, rs), enfim, ficar completamente fora de si durante uma prova de teoria. Sem culpa para as questões relativamente simples, mas putaqueopariuquemerda aquele povo solfejando à volta "Cai cai balão" sem parar pra tentar escrever a porcaria numa pauta vazia, que aquilo é muitíssimo complicado, rs. Primeira nota dada. Saí correndo daquele auditório.

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Com o carro frente ao Teatro Nacional, pensei: se para chegar à entrada se desce uma estreita escada em espiral, deus!, como se chega ao palco?

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Pi e Victor lêem (blablabla pra norma) em manchete: "Seria milagre? Madonna engravidou de Jesus?"

Victor: como se chama?
Pi: incesto, rs.

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Expressas como a L2. Beijos!



sábado, 15 de agosto de 2009



A pérola da noite ficou por conta de brincadeirinha já recorrente: criar tempos verbais impossíveis. Havia dizendo, houvera estando, havendo tido, blablabla, chegamos em havendo estara. Na hora a gente não reparou que estara não existe, rs, que o correto seria estivera, mas enfim, nos divertimos horrores pensando que esse seria o nome ideal para a próxima filha de Baby Consuelo. Havendo Estara. Com Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Babye e Pedro Baby, formamos um grupo totalmente harmônico. Beijos, Baby, sem essa não haveríamos tendo essa inspiradora e fantástica luz. 

(cadê o conteúdo, Victor, o conteúdo?, rs.)


quinta-feira, 13 de agosto de 2009



Descobrir que vou ter que reger uma peça para coral não me deu muito medo. Tocar o violino está super ok. A teoria, em vias de ficar super ok também. Solfejo, ditado rítmico, blablabla. Mas meu-deus, como tenho medo do piano. 

O P I A N O
[voz de Galadriel transtornada-possuída]

todas aquelas teclas, fico me lembrando do piano por dentro, aqueles mecanismos todos, a idéia na realidade é quase simples, assim como é simples todas as notas estarem ali prontinhas na sua frente, só esperando serem tocadas, só esperando, rs, que alguém as toque de forma genial, que dali se escute música. Mas também estão lá todos aqueles martelos, aquele tanto de corda, os pedais, os afinadores, pensa afinar 88 notas, ai credo, algumas triplicadas para que a nota soe, enfim, tudo ali esperando que se toque, que se toque
estou com medo pela primeira vez desde que tomei minha decisão.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009



ah, explicação: 
a imagem é Maria Callas fotografada como Medea, ópera do italiano Cherubini. 
Medea era netinha querida do deus Helios, filha do Rei da Cólquida, blablabla. Paga de boa moça, até que, quando impedida por seu pai de se casar com Jasão [Hera deu um jeitinho de convencer Eros a fazer cair de amores, rs], quando impedida fugiu com o rapaz, esquartejou o irmão e o espalhou, a fim de atrasar o pai em sua busca, sabendo que ele procuraria todos os pedaços para que houvesse uma sepultura decente. Depois disso, acontece um monte de coisinha, picuinha dos deuses, rs, e Jasão a trai. Tsc tsc, Medea louca mata os filhos que tiveram juntos. 
Enfim, she gets her revange. 
Callas bem que queria ter dito a dela jogando a Jacqueline Kennedy dum penhasco. Se não fosse de antes de Onassis a ter trocado, pff, certeza que era nisso que ela estaria pensando no exato momento da foto. 




Hoje compreendi bem as donas de casa, que se correm arrumadeiras pela sala-cozinha-quarto, e então descobri um novo prazer: lavar a louça. Estou precisando mesmo é descobrir prazer em arrumar meu quarto, que aquilo anda uma bagunça total; dizem que nosso quarto é um reflexo da gente por dentro, me rio [e como fica feia essa conjugação!, caramba], estou danado da vida se for verdade, rs, se bem que minha estante está bem organizada, a coloquei em ordem esses dias, as únicas coisas bagunçadas são as contas que saem de todo lugar, debaixo da cama, entre livros, no corpo do violino, rs, e os papéis de maquete que restaram da arquitetura, talvez fiquem lá por um tempo para eu me lembrar que não tenho problema algum com ela, que eu até gostava de fazer maquetes por mais chatas que elas fossem, e que também é um desperdício eu deixar de me expor ao mundo como arquiteto, rs. Mas enfim, a coisa de lavar a louça, penso fazer parte de um se acostumar. É o que estou tentando: me acostumar, acostumar a ficar d'alma manca durante a semana, ou como Donana Cabriola, uns bons meses de post para trás, que deu um suspiro tão profundo que passou a andar encurvada, adoro essa imagem, faz parte de um conto fantástico da tia Augustinha, enfim, tudo parte de um se acostumar provisório, espero, que ano que vem chega rápido assim como esse estava vindo passou e daqui pouco se acaba. 
Estou sentando me forçando escrever algo, me combinei isso para tentar certa manutenção aqui, diz Lyanna que meu blog merece mais atenção, e a Lyanna não é um alter-ego, quero deixar claro pois ela tanto aparece por aqui, mas duvido ser algum leitor esteja sem esse conhecimento, não divulgo blog, então a explicação se torna desnecessária, rs.
O que de mais importante aconteceu nessa semana foi um longo período de entretenimento na wikipédia, algo que espero se tornar um vício-passatempo, que aquilo é bom demais, gente. Aprendi tanto da cultura fínica, Sibelius [aaah!], Fennoman, Svecoman, que o finlandês não tem futuro como tempo verbal, uma loucura, só se fala de presente e passado, pessoal saudosista, rs, enfim. 
Também descobri que meus planos são um pouco mais complicados que pensava. Grande surpresa, não sempre o são?


sábado, 1 de agosto de 2009



Olha, que o mundo anda girando girando por aí em torno de si, em torso de si, ou do sol, enfim, todo por aí entediado e cheio do próprio peso há algum tempo não é segredo pra gente, rs, a quem só cabe acreditar, nós-simples-nada-cientistas, 

e vamos acreditando e acreditando, Lyanna esses dias disse da beleza das estrelas brilhando mortas no céu, uma beleza de metáfora, mesmo que comprovada, fonte bem confiável, coisa mais linda, e as vermelhas nem eram as mais quentes, rs, todas se podendo dressed to kill, enfim, que importa, mortinhas mortinhas, 
e ainda dizem que não precisamos nos preocupar com as coisas que andam vivas por aí e sim com as já passadas, mas enfim, que o mundo anda girando por aí todo certo de si e, ainda pior, certo de que vai continuar se girando até que o bom deus resolva soltar a prostituta da Babilônia por aí [me corrija, Lyanna, minha única amiga que teve a decência de ler a Bíblia, rs, caso esteja errado] e fazer soar a anunciação [falar em anunciação não aguento mais escutar as de noiva, tocar em casamento pra tirar um extra, pff, tirando mesmo é meu sério], enfim, é, talvez, a única coisa que a gente pode ter tanta certeza, digo incluindo um grupo de certezas científicas, mesmo assim vai saber, vou bater na surrada tecla de que há um tempo certeza era que a Terra era plana e o horizonte era uma queda d'água sem fim, uma imagem tão bonita que dá pena sua falta de verdade, que há um tempo certeza era que a Terra era o centro do universo, pessoal egocêntrico, rs, 

e eu ainda ousei com tanta convicção no dia 15 de maio deste ano [deu tanta vontade de escrever dêste, acho farmácia com ph um mimo], ousei dizer que continuaria minha vida como estava, ousei achar que conseguiria manter estabilidade, mas aquele pinga-pinga irritante do 8 de abril de 2008 aqui, pingando-pingando, todo na consciência de que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, porque hoje me sinto popular, rs, e então se continuou pingando até que um momento de lucidez, mesmo que uma lucidez explosiva, pois havia de ser explosiva ou se resignaria num primeiro feixe de luz, o momento de lucidez veio, num impulso mas num impulso definitivo, espero, porque agora talvez não haja mais tempo para dúvidas, hoje estou popular adolescente, rs, mas sempre lembrando que além de mortas-estrelas brilhando numa brincadeirinha de deixar vivas lembranças, também existem wormholes, blackholes, 
a quantidade infinda de holes por aí tão traiçoeiros, mas enfim, isso fica por conta das miniaturazinhas de idéia e pensamento que tanto se chama de maquete, blablabla, nunca mais quero encostar a mão num papel triplex por conta de faculdade alguma, resumindo é isso, vou ficar rico e comprar a batuta do Mahler, deve estar em algum museu da Áustria mas eu compro, e sair regendo por aí, porque hoje estou popular adolescente inocente, 
acreditando tudo dar certo, o feche de luz lá atrás passando por um cristal e se abrindo num leque de vida, ahm, não sou certo dessas coisas todas de física, volto a mim:
ok, não conto com tanta boa vontade desse mundo ocupado em se achar no próprio eixo, e então sair regendo por aí ainda que uma orquestra imaginária, aqui dentro da cabeça, e vou ser um tanto piegas agora mas vou ter que admitir que, mesmo nessas circunstâncias, vou ser um tanto feliz.



segunda-feira, 20 de julho de 2009


Era por fragilidade de corpo, tinha os ossos bem fracos, era por fragilidade de corpo que mantinha seu santuário de segredos.
Acordava de manhã, se levantava e olhava a imagem refletindo simples no espelho. E pensava o quanto era secreta. Então escovava os dentes de cigarro para se sentir mundana, 
e ia para o ponto de ônibus.


segunda-feira, 13 de julho de 2009


"Quando chegares a minha idade, 
terás perdido quase por completo a visão. Verás a cor amarela e sombras e luzes. 
Não te preocupes. 
A cegueira gradual não é uma coisa trágica. É como um lento entardecer de verão."

Borges, O livro de areia






Já há tempo venho pensando em, já há tempo havia havendo (rs, para Pi e Beto), mas me demorei até sentar e escrever (todo na pretensão chamando isso de produção escrita, ah, me poupa Victor). Enfim,
tente, vai olhando pro longe, deixando que se perca a vista, saindo de foco, ficando mais fora de.
Acontece que as coisas vão se pincelando, pouco a pouco, meio Monet; e tudo vira plano, uma tela, bela tela, e então se pode, ao menos se sente poder, então se pode olhar tudo como espectador. Mero espectador. 
Não é que as coisas estejam ruins (contrário, ando um deslumbre!), mas adquiri o hábito/vício de ver aqui lá, meio de longe, meio de canto de olho. Mas só de vez em quando, como por diversão, rs. Enfim, nada sério e bem sem ponto.



sábado, 13 de junho de 2009



À Aline, que, diz-se, só citava.
(à Aline mas não no que tange à temática, Nine fofa mais linda que tá em casa estudando)

"A estrada subia muito. A estrada era mais bonita que o Rio de Janeiro, e subia muito. Mocinha sentou-se numa pedra que havia junto de uma árvore, para poder apreciar. O céu estava altíssimo, sem nenhuma nuvem. E tinha muito passarinho que voava do abismo para a estrada. A estrada branca de sol se estendia sobre um abismo verde. Então, como estava cansada, a velha encostou a cabeça no tronco da árvore e morreu."
O grande passeio, Felicidade Clandestina.

Meio piegas. [para não apagarem meu blog, rs].


 

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