quinta-feira, 8 de março de 2012




Das perdas de um nascimento tardio, a inconteste fluidez desafortunada: não escutar o grito anúncio dos ardinas e gazeteiros; o impossível em ver a beleza, maquiada em traquinagem, do realejo. 
Pena: ladear com os 22 (meu deus, já 22) anos a ânsia senil. 





domingo, 23 de outubro de 2011





Y a-t-il rien de plus triste que ce spectacle des jeunes espoirs et de l'enthousiasme juvénile, finissant par se changer en une sorte de sombre résignation, impuissante d'aller à l'encontre du marasme final, ou tout ce que l'artiste a acquis par son talent et son travail doit sombrer sans appel?





quarta-feira, 12 de outubro de 2011



Nenhum ato de desconhecida bravura. Somente a sempre-mesmice. E a óbvia percepção da busca pelo incômodo em cósmicas poeiras aquietadas. Buracos-negros e super-novas no solitário café em um chuvoso hoje. Feriados assim não deveriam existir.



quinta-feira, 22 de setembro de 2011



Importante era o quintal da minha meninice com seus verdes canudos de mamoeiro, quando cortava os mais tenros, que sopravam as bolas maiores, mais perfeitas. Uma de cada vez. Amor calculado, porque na afobação o sopro desencadeava o processo e um delírio de cachos escorriam pelo canudo e vinham rebentar na minha boca, a espuma descendo pelo queixo. Molhando o peito. Então jogava longe canudo e caneca. Para recomeçar no dia seguinte, sim, as bolhas de sabão. Mas e a estrutura? "A estrutura", insistia. E seu gesto delgado de envolvimento e fuga parecia tocar mas guardava distância, cuidado, cuidadinho, ô!, a paciência. A paixão.

Beto: "Se fosse desses, diria que isso é a vida dizendo os caminhos certos". Sou desses. E também sou (meninote, coitado) que: calma, dedicação, estudo, perseverança (porque por outro lado linha reta caminhou, sem saber onde vai dar. No breu, sigo o sol. (...) Me alimento desse breu, já nem sinto quem sou eu: noturno, fugaz. Já não sei se sou capaz de parar. Bifurcação, entroncamento, contra-mão. São ruas sem fim, vias de fato aos pés de quem desrespeitou sinais e atravessou ileso. Decidiu flutuar, quis plantar de peso. Quando a noite cansar e a luz brotar a esmo, sigo meu caminhar: nunca amanheço o mesmo) Mas é isso: centro. Foco. É isso, empurrando a vida e o acaso. Como um aprendiz Pekka-Salonen, que em sorte de substituto despontou, numa última hora causada pela saúde do mestre. É isso, empurrando a vida e o acaso. E uma simbólica Scheherazade, 27/09/11, deixo em registro.

Labareda pra me consertar, 
fogo pra me aquecer de perdão. 
Não há justiça sem ceder, 
não há justiça sem amor 
e se a gente nunca se entregar.
(...)
Não há justiça se há sofrer, 
não há justiça se há terror, 
e se a gente sempre se curvar.

Fênix.


quarta-feira, 6 de julho de 2011



Almoço na casa da vó, hoje, que estava em divertidíssimo em estado de bom humor. 
Gabi recém-matriculada, universitária, morangos com chocolate derretido, jeito simples de comemorar. Mariana explosiva em desenvoltura e extroversão. 
Mãe satisfeita, orgulhosa, leve (em mim o peso dessa última raridade). 
Todos rindo rindo rindo de se fartar em riso, e no meio da minha gargalhada exageradamente alta e conhecidamente escandalosa, um choro escondido (que o chorei de verdade, não é poesia, rs), porque era uma felicidade tão imensa que precisava de forma física, para além do som do riso, ou para além do sentimento em si, e transbordou. E só conseguia pensar numa coisa: 
era isso, era exatamente isso o que eu queria dizer, era isso e só isso.



quarta-feira, 11 de maio de 2011



  Tenho, ignorante que sou, uma sensação de agraciado, certo de que nessa jovem triplamente iluminada - pelo sol da tarde, pelas chamas das velas, pelo meu êxtase - e em quem a enfermidade, mais do que uma pena, foi um desígnio para resguardá-la até que emergisse, das entranhas do tempo, este minuto, residem as venturas da vida e que, ligando-me a ela, aposso-me de grandezas que não entenderei e que nem sequer adivinho. Arpoado em minhas profundezas pelo seu olhar, ofereço-me com a máxima candura, imaginando que este brio de súbito gerado em meu espírito pode comprar a paz e o júbilo.
  ridi, Pagliaccio!, e ognun applaudirà! Ridi sul tuo amore infranto, del duol che t'avvelena il cor.
  Vi nesse moço, quando me pediu a mão de Joana, o traço da morte. O aviso. O sinal. [...] "Desculpe que lhe diga: tenho visto poucos homens tão franzinos. Não digo no corpo. É por dentro. Feito para trabalhar de ourives. Ou de imaginário, ficar sentado em si, fazendo nossas-senhoras, meninos jesuses". [...] Devia ser enterrado num caixão azul, feito os meninos pequenos.
  Os que fiam e tecem unem e ordenam materiais dispersos que, de outro modo, seriam vãos ou quase. Pertencem à mesma linhagem FIANDEIRA CARNEIRO FUSO LÃ dos geômetras, estabelecem leis e pontos de união para o desuno. Antes do fuso, da roca, do tear, das invenções destinadas a estender LÃ LINHO CASULO ALGODÃO LÃ os fios e cruzá-los, o algodão, a seda, era como se ainda estives- TECEDEIRA URDIDURA TEAR LÃ sem imersos no limbo, nas trevas do informe.
nas trevas do informe, ao horror se enfim cedido, o cume, leocádia visto como do fogo se vê (e em ainda vida), o riso da platéia, força.


quarta-feira, 27 de abril de 2011



Como se seqüestrasse a objetividade, ou a subjetividade. Como se seqüestrasse. Um grande afogar-se num grande nada ou num grande si. E o desafio. Desafio qual não se sabe; desafio. Talvez um: o desafio da perda, como apesar de óbvia não se a conta. Fácil se fosse perda como vida desde berço, e então se pergunta sobre a graça em coisa qualquer. Eilaiá, adoro eilaiá. Como se o comemorar da vida não fosse um grande apagar das vinte e uma velas em sopro. Sopratutto, rs. Eilaiá, adoro eilaiá. Olho a Callas, Medeia, e me lembro que morta só de desgosto, fortaleza desmoronando por e para. Talvez por e para dentro. Talvez só por e para. E o desencontro dos anos. Quantos? Semana Santa e os motetos e matracas; passou, ano que vem vejo Verônica cantar novamente: Oh, vos omnes qui transitis per viam, attendite et videte: - .Videte? Viste tu? Tu viste. E se paro de escrever agora é porque me escreveria
bobeiras e quaisquer coisas ad infinitum, 
enquanto ouço Ophelia enlouquecer na voz de Mady Mesplé e me deixo seqüestrar.



quarta-feira, 13 de abril de 2011

por vezes, a impressão de que a Lua se cobrindo porentrenuvens seja um ato de vergonha por nos ver. Eilaiá.

quinta-feira, 7 de abril de 2011


"- But, wherefore dost thou not look at me? Thine eyes that were so terrible, so full of rage and scorn, are shut now. Wherefore are they shut? Open thine eyes! Lift up thine eyelids! Wherefore dost thou not look at me? I still live, but thou art dead, and thy head belongs to me. I can do with it what I will. I can throw it to the dogs and to the birds of the air. That wich the dogs leave, the birds of the air shall devour. Ah... thou wert the man that I loved alone among men. All other men were hateful to me. But thou were beautiful. Well, thou hast seen thy god, but me, me, thou didst never see. If thou hadst seen me thou hadst loved me. I saw thee, and I loved thee. What shall I do now? Neither the floods nor the great waters can quench my passion. Ah!, ah!, wherefore didst thou not look at me? If thou hadst looked at me thou hadst loved me. Well, I know that thou wouldst have loved me, and the mystery of love is greater than the mystery of death.  [...] There was a bitter taste on my lips. Was it the taste of blood? Perchance it was the taste of love. They say that love hath a bitter taste.

- Kill that woman!"


Ceder ao horror.

segunda-feira, 21 de março de 2011



Um dos problemas é não sabermos a distância da ponta do Leocádia às rochas meio sumidas n'água [e no movimento revolto do mar não se sabe se água ou rocha]. Porque o caminho [e ao dizer "caminho" me faço arriscado porque caminho é um decidido nada no centro e um algo de um lado e doutro] porque o caminho é vida e mal se repara, somente se vai vivendo, subindo que mal se sabem degraus. E, quando chegamos ao topo do promontório, [pois cegos de um véu-grinalda] não sabemos dizer a queda; outro problema não sabermos nem dizer queda ou salto ou força ou vento. E ainda um outro dos problemas é mal sabermos quem de fato está ali àquela beira; tão grande caminho para se chegar até lá quem o entrou mal o sabe um fim [reconhece-se somente dentro de um eu, se há eu, a mesma aquela crença que teve Safo], modo que devia-se recobrir-se e pisar [lá no chão daquele alto] em espelhos e olhar para baixo com finalidades tantas, pois mal se sabe a altura, mal se sabe salto força queda vento e mal se se sabe.
Sabe-se somente o mar, em espreita espera, com a serenidade de coisa que, sim, sabe-se eterna.



quarta-feira, 16 de março de 2011

terça-feira, 25 de março de 2008:

sábado, 12 de março de 2011



Ontem, num dia cinematograficamente chuvoso, tiveram que tirar minha bisavó de cima do caixão do meu tio-avô. Aquele tio, porque nunca foi tio-avô mas só tio, aquele tio que quando criança passava medo com a escada de cimento no fundo do quintal do casarão de Goiás, dizendo ser ali o canto de fumo da Muda, criada que morreu quando ele criança, mas que ainda freqüentava a casa por costume. Que chamava de Vitoca o primeiro sobrinho-neto, que sempre foi só sobrinho. Que dizia que a mãe tinha letra e pés de princesa, num rubor em seus oitenta e tantos anos. Ela, que com letra e pés de princesa, sua mãe, mãe de minha vó, vó de minha mãe e minha bisavó sempre vó porque foi sempre só vó, ela que com letra e pés de princesa ontem precisou ser tirada de cima do caixão para que finalmente o pudessem descer para descansar da diabetes, da hérnia, do coração que há muito falhava, da família, dos tudo que se guarda dentro, porque uma hora se há de descansar.
E eu poderia dizer tanto sobre porque dizer sobre diz sobre mim, mas não há muita vontade além da de descrever a cena. A cena deve dizer tudo, a cena da bisavó que sempre foi só vó enterrando o tio-avô que sempre foi só tio e contava histórias de entidades e não deixava dormir. Sou eu. Árvore, raiz, que imagem piegas. Porque talvez não interesse muito se de fato existem dimensões diferentes para cada escolha, esse é o tipo de questionamento que nos deixa numa waltz for all life, o importante é só a tormenta do Se não ser maior que a força da vida estourando microscopicamente nossos poros, se numa dimensão se noutra ou se tudo só é,



sábado, 26 de fevereiro de 2011

Assédio.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

CENA 1
Casa do sítio / Balanço / Exterior / Manhãzinha

O sol se levanta, trazendo uma luz nova. A estrela d'alva ainda brilha no céu da manhã. E uma lua se desmancha. MARIA, vestida da cor do campo, com todas as suas flores, se deleita em seu balanço, que voa, amarrado ao tronco de uma árvore.

domingo, 16 de janeiro de 2011



"Non che t'aspetti qualcosa di particolare da questo libro in particolare. Sei uno che per principio non s'aspetta più niente da niente. Ci sono tanti, più giovani di te o meno giovani, che vivono in attesa d'esperienze straordinarie; dai libri, dalle persone, dai viaggi, dagli avvenimenti, da quello che il domani tiene in serbo. Tu no. Tu sai che il meglio che ci si può aspettare è di evitare il peggio. Questa è la conclusione a cui sei arrivato, nella vita personale come nelle questioni generali e addirittura mondiali. E coi libri? Ecco, proprio perchè lo hai escluso in ogni altro campo, credi che sia giusto concederti ancora questo piacere giovanile dell'aspettativa in un settore ben circoscritto come quello dei libri, dove può andarti male o andarti bene, ma il rischio della delusione non è grave."



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Porque não me canso de dizer sobre ele:
Sinfonia no.10, primeiro movimento. 
Lá pelos dezesseis minutos, claro que depende da gravação, uma re-exposição do tema; 
mais lento que o normal, mais lento que o adagio que titula todo o movimento. Lentíssimo, pianíssimo, somente cordas, solitárias, porque a solidão é um grito surdo de medo nesta sinfonia; 
e, quando menos se espera, surge, deste pianíssimo, uma afirmação em Lá menor longuíssima, que engloba tudo, e tudo some neste fortíssimo, no tenuto das cordas, no arpeggio feito pelos trompetes e trombones;
um ritardando e, de repente, desmancha-se tudo num scherzo, que de novo e rapidamente se torna lento, como que os pedaços dele próprio caindo fossem o scherzo em si, e, a lentidão, fosse as coisas se ajeitando ou parando de cair ou indo para um outro lugar qualquer; 
um acorde diminuto nos sopros, e, como um sopro arrebatador vindo de dentro, um pesadíssimo e inesperado quase-cluster de toda a orquestra; surge um trompete que a qualquer coisa cobre, segurando um Lá, acima de tudo e todos e todas as coisas; novamente um cluster, 
e tudo parece então se acalmar numa grande desistência orquestrada.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mahler insiste em aparecer por aqui. Por aqui quero dizer no blog, quero dizer em mim. Mahler aparece pouco onde devia mais aparecer. Mas por aqui insiste em vir. Sehr langsam und noch zurückhaltend, porque não se pode terminar num burleske, mesmo que não seja um burleske qualquer, mesmo que seja um dramático burleske mahleriano. Há de ser um sehr langsam, há de se acabar sem que se perceba, de forma que as cordas fiquem cada vez mais piano, piano, pianíssimo, até que depois de certo tempo se perceba que elas pararam de tocar porque a dor de escutá-las se foi.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Acabei de acordar do pequeno intervalo entre as aulas da manhã e da tarde. E sonhei que estávamos num carro, nós dois na frente. Tinha uma criança indo para lá e para cá. Te perguntava por quê diabos nunca havia me contado que tinha uma filha, era uma menina. E eu disse para ela: vem cá. Estávamos num túnel, qualquer coisa assim, mas era num lugar familiar. Perguntei seu nome, ela disse "Patrícia. Não, Matrícia. Hehe, Patrícia mesmo, te enganei", e me disse que tinha medo das pessoas, se encolhendo no meu peito. E eu a abracei e disse calma, Patrícia, nem todo mundo nesse mundo é ruim, e já acordei chorando.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Quando o morador de rua que te pediu um cigarro diz "mano, tu tem cara de maluco hem?", saiba que este é um dos ápices da sua vida, rs. 
Então se rosna para ele.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

no pátio do Departamento de Música há um flamboyant ou um bougainville, também nunca sei qual, 
que germina cresce floresce sombreia e deixa cair seus vestígios vermelhos no chão.
 e não se repara.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

há muito tempo, Lyanna comentou num post:

Minha psicóloga me disse também há anos que o quarto era reflexo do interior. De onde se tira isso? Mentira, ela só queria que eu deixasse minha mãe feliz dando um jeito nos bichos que, isso sim, é abiogênese, surgiram dentro da minha gaveta. Uma grande balela, a gente nunca consegue  se arrumar por dentro. Logo, não faz sentido arrumar o quarto. Ou alguém ainda pensa que um guarda-roupa em ordem de cor é esteticamente mais viável do que as blusas nadando no chão? Que retrô.

e neste momento, grande bobeira praticalizar [????, rs] só neste momento, estou fazendo um esforço mahleriano para internalizar. blusas-no-chão-blusas-no-chão-dá-pra-viver-com-blusas-no-chão. E calças e livros e partituras e caixas, meias, fones de ouvido, celulares que o meu estragou e agora tenho dois, e sacolas e chinelos e tênis e enfim vou dormir ou amanhã acordo com o blog cheio de arrependimentos escritos.


"Depois do terremoto, que havia destruído três quartos de Lisboa, os sábios do país não encontraram um meio mais eficaz para prevenir uma ruína total do que proporcionar ao povo um belo auto-de-fé; fora decidido pela Universidade de Coimbra que o espetáculo de algumas pessoas queimadas a fogo baixo, com grande cerimonial, é um segredo infalível para impedir a terra de tremer.
[...]
A mitra e o sambenito de Cândido traziam pintados chamas inclinadas e diabos sem rabos nem garras; mas os diabos de Pangloss tinham garras e rabos e chamas verticais. Assim vestidos saíram em procissão, e ouviram um sermão seguida de bela música em fauxbourdon. Cândido foi açoitado em cadência, enquanto cantavam; o biscainho e os dois homens que não quiseram comer toicinho foram queimados, e Pangloss foi enforcado, conquanto não fosse esse o costume. No mesmo dia, a terra voltou a tremer com um estrondo assustador.
Cândido, aterrado, transtornado, desvairado, todo ensangüentado, todo palpitante, dizia consigo: 'se é este o melhor mundo possível, como serão então os outros? Vá lá que eu apenas fosse açoitado, já o fui entre os búlgaros. mas meu caro Pangloss, maior dos filósofos, era preciso ver-vos enforcar, sem saber por quê! Meu caro anabatista, o melhor dos homens, era preciso ver-vos afogar no porto! Senhorita Cunegundes, pérola das donzelas, era preciso que vos abrissem o ventre!' ".



flautim, quatro flautas, quatro oboés [corne-inglês dobrado], clarineta em mi bemol, três clarinetas em si bemol e lá, clarone, quatro fagotes [contra-fagote dobrado]
quatro trompas, três trompetes, três trombones, tuba
tímpanos, bombo, caixa, pratos, triângulo, tam-tam, três sinos, glockenspiel
duas harpas, violinos I, violinos II, violas, violoncelos, contra-baixos.


- Andante comodo.
- Im tempo eines gemächilichen Ländlers; Etwas täppisch und sehr derb.
- Burleske; Sehr trotzig.
- Sehr langsam und noch zurückhaltend.

em uma noite só, para que fique garantida a clareza.

terça-feira, 28 de setembro de 2010



não raro [ou melhor, freqüentemente, quando minha indecente relutância - em me lembrar que costumava, vez em quando, dar uma de quem escreve algo - resolve dar uma pausa] não raro escrevo sob influência de catástrofes climáticas, com o perdão de quem, de fato, já sofreu uma, rs; 
fato é que a paisagem do cerrado brasiliense se permitiu hoje ser vítima de uma tempestade de poeira que deixou tudo tão cinza, questão que me deixou com leve curiosidade por essa cidade não se dar nem ao trabalho de colorir de marrom o que era para ser azul. Mas cinza. Poeira poeira. Mas poeira pra mim é marrom. 
Enfim, passado o vento no céu, este se coloriu [e colorir aqui se torna uma palavra completamente inadequada] de cinza nos horizontes todos, e subindo, subindo, um cinza azulado, e subindo, um cinza esbranquiçado. E me sentei na sacada tentando - em divertido aproveitamento de fim de tarde - tentando decifrar se era céu-azul-acinzentado, se era nuvem de chuva carregada, se era céu-branco-acinzentado, ou se era nuvem cinza de poeira. Era tudo numa textura tão homogeneizada de cinza-azul cinza-branco e cinza-cinza que eu não sabia dizer que coisa era que coisa. 
E me diverti pensando que um dos pontos da vida é justamente esse: tentar descobrir se nuvem é céu, se céu é poeira ou se poeira é vida. No final das contas, depois de tanta seca, há de ventar para chover.
Ai ai. Tou ficando brega. 
Beijo, Ly.



terça-feira, 6 de julho de 2010



Hoje me coloquei debaixo d'água e me lavei, me lavei de o que havia ficado desde Março, água escorrendo ora vermelha, ora transparente e líquida como se é água, ora meio marrom terra, granulada e áspera como. And inside we are still wet.

Meu semestre foi o prelúdio da Traviata. Antes com ritornelos, cortes e recortes e re-exposições de temas.
Agora, meu semestre foi o prelúdio da Traviata. Da capo al fine.
Agora, hoje.


segunda-feira, 5 de abril de 2010



Na quarta-feira, sim, sei, há tempo, mas não me adapto à internet e ao blog e às suas funções de comunicação instantânea por gostar do coser e etc etc, na quarta-feira passada o céu amanheceu salpicado das nuvens novas que acabavam de se formar subindo dos tantos gramados de Brasília, eu adoro essa coisa meio fantástica da nuvem e gosto também de pensar assim [com mais uma descida, rs] da chuva, apesar de o Beto me insistir que pouquíssimas chuvas são d'água subida do chão, porque eu questionava todo o tempo o seco de Brasília [and inside, we're all still wet] se há um lago para quê. O céu estava salpicado dessas nuvens de um jeito uniforme que estava tão bonito, como que meticulosamente posicionadas, umas atrás das outras, e eu não ousaria dizer, apesar de, como alguém que, não me lembro exatamente quem nesse momento, gosta tanto de lembrar que escreveu Clarice, talvez seja eu mesmo e não me faça a ligação, apesar de, não ousaria dizer que ele estava ironicamente belo, o céu, praticamente se atrevendo a ser somente encorajador. Então fui tomar um café naquela padaria da quadra, como ainda pretendo fazer tantas e tantas vezes, mas em melhor companhia que todos meus assombros dessa quarta, meus assombros de amor e distância e saudade.



sábado, 20 de fevereiro de 2010



"Quando [Mahler] partiu para os Estados Unidos, um conclave de espíritos progressistas de Viena se reuniu para lhe dar adeus. 'Vorbei', murmurou Gustav Klimt quando seu trem arrancou."



quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


depois de tanto tempo, volto a postar num impulso um tanto bobo, admito. É que apesar de aparente tranqüilidade se passa tanta coisa pelas nossas cabeças. Sempre é assim, nada de novidade. O que aconteceu foi o seguinte:
Mariana semana passada queria tanto que eu iluminasse nossa árvore de natal. Comprei, mesmo sem poder, ando devendo meio mundo, rs, as luzinhas; coloquei todas, super cansativo, imagina só, aquilo dá um trabalho de verdade!, mas nossa casa está linda linda. Depois, todo mundo foi dormir. Peguei então uma xícara de café, que nem mais me tira o sono, e sentei no tapete da sala, de onde podia ver a árvore, que ficou bela, as plantas da sacada brilhando, todas iluminadas, assim como a porta da varanda. De canto, ainda podia ver o portal do corredor, onde colocamos uma pequena guirlanda. Tudo iluminado e nenhuma luz acesa. Foi quando pela primeira vez vislumbrei tudo por um prisma que ainda não me tinha vindo: nessas todas decisões de vida que andei passando por, estudar fora de Goiânia, traçando metas, ter aula com fulano, com beltrano, juntar dinheiro para fazer tal coisa, masterclasses não sei onde, curso de verão em tal lugar, enfim, pela primeira vez eu entendi que optei por não ver minhas irmãs crescerem, mesmo sem perceber. Deu um aperto enorme no coração. Optei por não as ver crescer. Assim como mamãe. Vou as ver estar. Não ficando. E me faz tanta diferença. Sei que de certa forma é exagero. Vou estar aqui todo fim de semana possível. Férias. Mas reclamar que não quero ir pegar a Mariana na escola é tão gostoso. Brincar com a Gabriela por causa do namorado novo é ótimo. Deitar na cama da minha mãe enquanto ela faz palavras cruzadas me deixa feliz. Todas essas coisinhas do dia que enchem a gente, seja lá do que for. Alegria, cansaço, tristeza, rotina, presença. Sou um manteigão de vez em quando, não tenho como negar, rs. Enfim, tocando a vida, fazer o quê. Não posso casar as meninas para depois prestar vestibular. O que é um saco, porque eu bem queria, rs. 
Enquanto escrevo, assisto a 6a. do Mahler. Abbado sendo o gênio que é, emocionado sempre com música, que mais se deveria pedir de um maestro tão fantástico. Fico olhando essa emoção toda e imagino o que se passa pela memória dele. O que ele deixou para trás. Será que ele estava com a mãe quando ela envelheceu? Ou só sentia de longe a alegria de mãe pelo filho satisfeito? É isso que se passa quando rege o último movimento? Os hammers misteriosos do final da 6a. sinfonia. Tudo de cor, como quem sabe o que vai sentir com cada trecho e se deixa saber e passar por tudo aquilo, mesmo que de novo e de novo, não se precisa de um gráfico para lembrar isso que vem de dentro. Se sabe o que sentir, se sabe o que reger. Mesmo que cada vez seja diferente da última.

Não deveria pensar nessas coisas por agora. Ainda nem fui aprovado. Ainda tenho tanto a estudar, fazer, ler, 
1, 2, 3, 1, 2, 3, 4, 1, 2, 1, 2, 3, 4, 5, 1, 2, 1, 2, 3, diz o final da Sagração, e nessa a gente vai indo, descompassado. 
Enfim, queria gostar menos. E isso é o que menos quero, rs. 
Blábláblá, chega de baboseira sentimentalóide por hoje. Manteiga manteiga, rs.


segunda-feira, 26 de outubro de 2009



É nessa época do ano que sol-fim-de-tarde bate no meu quarto (agora em tempo de verão, sol-início-de-noite). Então me fecho nele e fumo um cigarro, só para ver os raios amarelos que se formam através das grades. Um cigarro é mentira, venho pro quarto e fico por aqui esperando que a semana passe e faça seu trabalho. Sozinha. 
e Transbordando porque ainda tenho um cinzeiro solitário, mas, como se diz, o final de semana está aí, rs. Sorriso, right on the corner of my mouth, sorriso de lembraça. Há muito tempo disse que só fazia esquecer, lá no comecinho, bem dos primeiros posts. Ainda acontece, rs, verdade, eita cabeça ruim, but just not the same subject. Depois, há algum tempo, disse que só fazia lembrar, pff. Enquanto viajava. Dois anos, quase. 
No momento, só faço viver, porque agora não o faço só para mim. Precisa-se de mais algum motivo para? Só só esse. Ir indo e ir indo não do jeito que se vai indo com a barriga, nah, nah, do jeito que se vai indo com sorriso mesmo, com um contentamento esquisito. Com borboletas no estômago, de ser sempre um susto alegria, de todo dia ser não só mais um. 
Sorriso de orelha a orelha.




quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Rápidas brasilienses

Compreendo se alguém, algum dia, enlouquecer completamente, pirar, despirocar (ops, essa talvez melhor não, rs), enfim, ficar completamente fora de si durante uma prova de teoria. Sem culpa para as questões relativamente simples, mas putaqueopariuquemerda aquele povo solfejando à volta "Cai cai balão" sem parar pra tentar escrever a porcaria numa pauta vazia, que aquilo é muitíssimo complicado, rs. Primeira nota dada. Saí correndo daquele auditório.

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Com o carro frente ao Teatro Nacional, pensei: se para chegar à entrada se desce uma estreita escada em espiral, deus!, como se chega ao palco?

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Pi e Victor lêem (blablabla pra norma) em manchete: "Seria milagre? Madonna engravidou de Jesus?"

Victor: como se chama?
Pi: incesto, rs.

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Expressas como a L2. Beijos!



sábado, 15 de agosto de 2009



A pérola da noite ficou por conta de brincadeirinha já recorrente: criar tempos verbais impossíveis. Havia dizendo, houvera estando, havendo tido, blablabla, chegamos em havendo estara. Na hora a gente não reparou que estara não existe, rs, que o correto seria estivera, mas enfim, nos divertimos horrores pensando que esse seria o nome ideal para a próxima filha de Baby Consuelo. Havendo Estara. Com Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Babye e Pedro Baby, formamos um grupo totalmente harmônico. Beijos, Baby, sem essa não haveríamos tendo essa inspiradora e fantástica luz. 

(cadê o conteúdo, Victor, o conteúdo?, rs.)


quinta-feira, 13 de agosto de 2009



Descobrir que vou ter que reger uma peça para coral não me deu muito medo. Tocar o violino está super ok. A teoria, em vias de ficar super ok também. Solfejo, ditado rítmico, blablabla. Mas meu-deus, como tenho medo do piano. 

O P I A N O
[voz de Galadriel transtornada-possuída]

todas aquelas teclas, fico me lembrando do piano por dentro, aqueles mecanismos todos, a idéia na realidade é quase simples, assim como é simples todas as notas estarem ali prontinhas na sua frente, só esperando serem tocadas, só esperando, rs, que alguém as toque de forma genial, que dali se escute música. Mas também estão lá todos aqueles martelos, aquele tanto de corda, os pedais, os afinadores, pensa afinar 88 notas, ai credo, algumas triplicadas para que a nota soe, enfim, tudo ali esperando que se toque, que se toque
estou com medo pela primeira vez desde que tomei minha decisão.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009



ah, explicação: 
a imagem é Maria Callas fotografada como Medea, ópera do italiano Cherubini. 
Medea era netinha querida do deus Helios, filha do Rei da Cólquida, blablabla. Paga de boa moça, até que, quando impedida por seu pai de se casar com Jasão [Hera deu um jeitinho de convencer Eros a fazer cair de amores, rs], quando impedida fugiu com o rapaz, esquartejou o irmão e o espalhou, a fim de atrasar o pai em sua busca, sabendo que ele procuraria todos os pedaços para que houvesse uma sepultura decente. Depois disso, acontece um monte de coisinha, picuinha dos deuses, rs, e Jasão a trai. Tsc tsc, Medea louca mata os filhos que tiveram juntos. 
Enfim, she gets her revange. 
Callas bem que queria ter dito a dela jogando a Jacqueline Kennedy dum penhasco. Se não fosse de antes de Onassis a ter trocado, pff, certeza que era nisso que ela estaria pensando no exato momento da foto. 




Hoje compreendi bem as donas de casa, que se correm arrumadeiras pela sala-cozinha-quarto, e então descobri um novo prazer: lavar a louça. Estou precisando mesmo é descobrir prazer em arrumar meu quarto, que aquilo anda uma bagunça total; dizem que nosso quarto é um reflexo da gente por dentro, me rio [e como fica feia essa conjugação!, caramba], estou danado da vida se for verdade, rs, se bem que minha estante está bem organizada, a coloquei em ordem esses dias, as únicas coisas bagunçadas são as contas que saem de todo lugar, debaixo da cama, entre livros, no corpo do violino, rs, e os papéis de maquete que restaram da arquitetura, talvez fiquem lá por um tempo para eu me lembrar que não tenho problema algum com ela, que eu até gostava de fazer maquetes por mais chatas que elas fossem, e que também é um desperdício eu deixar de me expor ao mundo como arquiteto, rs. Mas enfim, a coisa de lavar a louça, penso fazer parte de um se acostumar. É o que estou tentando: me acostumar, acostumar a ficar d'alma manca durante a semana, ou como Donana Cabriola, uns bons meses de post para trás, que deu um suspiro tão profundo que passou a andar encurvada, adoro essa imagem, faz parte de um conto fantástico da tia Augustinha, enfim, tudo parte de um se acostumar provisório, espero, que ano que vem chega rápido assim como esse estava vindo passou e daqui pouco se acaba. 
Estou sentando me forçando escrever algo, me combinei isso para tentar certa manutenção aqui, diz Lyanna que meu blog merece mais atenção, e a Lyanna não é um alter-ego, quero deixar claro pois ela tanto aparece por aqui, mas duvido ser algum leitor esteja sem esse conhecimento, não divulgo blog, então a explicação se torna desnecessária, rs.
O que de mais importante aconteceu nessa semana foi um longo período de entretenimento na wikipédia, algo que espero se tornar um vício-passatempo, que aquilo é bom demais, gente. Aprendi tanto da cultura fínica, Sibelius [aaah!], Fennoman, Svecoman, que o finlandês não tem futuro como tempo verbal, uma loucura, só se fala de presente e passado, pessoal saudosista, rs, enfim. 
Também descobri que meus planos são um pouco mais complicados que pensava. Grande surpresa, não sempre o são?


sábado, 1 de agosto de 2009



Olha, que o mundo anda girando girando por aí em torno de si, em torso de si, ou do sol, enfim, todo por aí entediado e cheio do próprio peso há algum tempo não é segredo pra gente, rs, a quem só cabe acreditar, nós-simples-nada-cientistas, 

e vamos acreditando e acreditando, Lyanna esses dias disse da beleza das estrelas brilhando mortas no céu, uma beleza de metáfora, mesmo que comprovada, fonte bem confiável, coisa mais linda, e as vermelhas nem eram as mais quentes, rs, todas se podendo dressed to kill, enfim, que importa, mortinhas mortinhas, 
e ainda dizem que não precisamos nos preocupar com as coisas que andam vivas por aí e sim com as já passadas, mas enfim, que o mundo anda girando por aí todo certo de si e, ainda pior, certo de que vai continuar se girando até que o bom deus resolva soltar a prostituta da Babilônia por aí [me corrija, Lyanna, minha única amiga que teve a decência de ler a Bíblia, rs, caso esteja errado] e fazer soar a anunciação [falar em anunciação não aguento mais escutar as de noiva, tocar em casamento pra tirar um extra, pff, tirando mesmo é meu sério], enfim, é, talvez, a única coisa que a gente pode ter tanta certeza, digo incluindo um grupo de certezas científicas, mesmo assim vai saber, vou bater na surrada tecla de que há um tempo certeza era que a Terra era plana e o horizonte era uma queda d'água sem fim, uma imagem tão bonita que dá pena sua falta de verdade, que há um tempo certeza era que a Terra era o centro do universo, pessoal egocêntrico, rs, 

e eu ainda ousei com tanta convicção no dia 15 de maio deste ano [deu tanta vontade de escrever dêste, acho farmácia com ph um mimo], ousei dizer que continuaria minha vida como estava, ousei achar que conseguiria manter estabilidade, mas aquele pinga-pinga irritante do 8 de abril de 2008 aqui, pingando-pingando, todo na consciência de que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, porque hoje me sinto popular, rs, e então se continuou pingando até que um momento de lucidez, mesmo que uma lucidez explosiva, pois havia de ser explosiva ou se resignaria num primeiro feixe de luz, o momento de lucidez veio, num impulso mas num impulso definitivo, espero, porque agora talvez não haja mais tempo para dúvidas, hoje estou popular adolescente, rs, mas sempre lembrando que além de mortas-estrelas brilhando numa brincadeirinha de deixar vivas lembranças, também existem wormholes, blackholes, 
a quantidade infinda de holes por aí tão traiçoeiros, mas enfim, isso fica por conta das miniaturazinhas de idéia e pensamento que tanto se chama de maquete, blablabla, nunca mais quero encostar a mão num papel triplex por conta de faculdade alguma, resumindo é isso, vou ficar rico e comprar a batuta do Mahler, deve estar em algum museu da Áustria mas eu compro, e sair regendo por aí, porque hoje estou popular adolescente inocente, 
acreditando tudo dar certo, o feche de luz lá atrás passando por um cristal e se abrindo num leque de vida, ahm, não sou certo dessas coisas todas de física, volto a mim:
ok, não conto com tanta boa vontade desse mundo ocupado em se achar no próprio eixo, e então sair regendo por aí ainda que uma orquestra imaginária, aqui dentro da cabeça, e vou ser um tanto piegas agora mas vou ter que admitir que, mesmo nessas circunstâncias, vou ser um tanto feliz.



segunda-feira, 20 de julho de 2009


Era por fragilidade de corpo, tinha os ossos bem fracos, era por fragilidade de corpo que mantinha seu santuário de segredos.
Acordava de manhã, se levantava e olhava a imagem refletindo simples no espelho. E pensava o quanto era secreta. Então escovava os dentes de cigarro para se sentir mundana, 
e ia para o ponto de ônibus.


segunda-feira, 13 de julho de 2009


"Quando chegares a minha idade, 
terás perdido quase por completo a visão. Verás a cor amarela e sombras e luzes. 
Não te preocupes. 
A cegueira gradual não é uma coisa trágica. É como um lento entardecer de verão."

Borges, O livro de areia






Já há tempo venho pensando em, já há tempo havia havendo (rs, para Pi e Beto), mas me demorei até sentar e escrever (todo na pretensão chamando isso de produção escrita, ah, me poupa Victor). Enfim,
tente, vai olhando pro longe, deixando que se perca a vista, saindo de foco, ficando mais fora de.
Acontece que as coisas vão se pincelando, pouco a pouco, meio Monet; e tudo vira plano, uma tela, bela tela, e então se pode, ao menos se sente poder, então se pode olhar tudo como espectador. Mero espectador. 
Não é que as coisas estejam ruins (contrário, ando um deslumbre!), mas adquiri o hábito/vício de ver aqui lá, meio de longe, meio de canto de olho. Mas só de vez em quando, como por diversão, rs. Enfim, nada sério e bem sem ponto.



sábado, 13 de junho de 2009



À Aline, que, diz-se, só citava.
(à Aline mas não no que tange à temática, Nine fofa mais linda que tá em casa estudando)

"A estrada subia muito. A estrada era mais bonita que o Rio de Janeiro, e subia muito. Mocinha sentou-se numa pedra que havia junto de uma árvore, para poder apreciar. O céu estava altíssimo, sem nenhuma nuvem. E tinha muito passarinho que voava do abismo para a estrada. A estrada branca de sol se estendia sobre um abismo verde. Então, como estava cansada, a velha encostou a cabeça no tronco da árvore e morreu."
O grande passeio, Felicidade Clandestina.

Meio piegas. [para não apagarem meu blog, rs].


sexta-feira, 15 de maio de 2009


Então, por causa do último post firmei contrato com a Arcor.
Mas enfim, o que interessa: conversando com o maestro Emílio de César (rápida biografia), por um acaso pai da minha professora de piano/música de câmara, escutei "largar Arquitetura, nunca!". A luz veio de cima.
Agora é ir adiante com planos: montar meu quarto de estudos, vai ficar lindo!, computador, estantes, prancheta, piano, ai, e pegar o piano pra estudar de verdade, já que ele me colocou uma meta de Estudos do Chopin e Sonatas do Beethoven (!)

quarta-feira, 6 de maio de 2009



que nem precisava de mais, pero bien, que se pasó:
Eu estava assistindo Turandot ontem, pois ando compulsivo com, fumando a cigarrilha de mel que comprei já pensando em tal fim, uma delícia. Tudo indo muito bem, gira la cote, aquela coisa toda.
Então no final aqueles aplausos todos, uma salva para Plácido Domingo, que Ignoto!, outra para Leona Mitchel, melhor Liù que já escutei. Quando entra Eva Marton o teatro cai aos seus pés, a câmera abre, aparece o teatro, e ela recebe uma chuva de flores. E eu começo a chorar.
A questão é: por saber que não vou me realizar de tal forma ou por a arquitetura do Metropolitan Opera House de NY ser linda?
um pirulito pra quem adivinhar.

p.s.: nem falo das traças do blog que é capaz de se organizarem num motim.


terça-feira, 24 de março de 2009


Theatro S. Joaquim
Empresa Recreio Goyano
CINEMATOGRAPHO PATHÈ FRÊRES
Estrèa-Hoje-Estréa
A's 8 horas da noite, com um program-
ma explendido e magnifico
Variadas fitas
COMICAS,
DRAMATICAS E
PHANTASTICAS
As Exmas. familias que quiserem
poderão mandar cadeiras para
as galerias
Entradas:
Geral: 2.000
Cadeiras: 3.000
OS BILHETES ACHÃO-SE Á VENDO
NA PHARMACIA S.DOMINGOS E NAS CA-
SAS DOS SRS. FELIPPE BAPTISTA, FRAN-
CISCO DE BASTOS E BICHARA SADDI.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Indeed


Então, estava andando pelo setor Oeste, passando numa daquelas ruazinhas que não sei nomear. Dobro a rua e, sentado, um rapaz na cadeira muito bem colocada na esquina, sentinela, na camiseta sou fiel, sou de deus, alguma coisa assim, um novo testamento daqueles pequenos azuis na mão, lendo alto, porém para si, esperando, esperando o quê, Eu. 

Pressenti. Tentei passar silencioso, rápido, despercebido. Rá!, passei. Quando levei a mãe à testa, alívio, psiu!, moço volta aqui, deixa eu falar com você. Sou uma pessoa educada, voltei.

Jesus te ama (oO). Os olhos fixos no meu nariz. Jesus te ama. (AAAAAH, meus piercings clamando perdão). Engraçado que só estava passando por ali por estar voltando do banco, tinha acabado de ter a prova que multiplicar coisas não dá, fazer algo virar vinho, pff, dinheiro então quem dera. Jesus te ama (pô, Jesus podia ser meu gerente do Banco Real). Leva sua família também pra igreja. A volta de Jesus está próxima. Ele ainda pode te acolher, você ainda pode ser salvo. Ele olhava tão piedosamente pra mim que a única coisa que pude fazer foi dizer: obrigado.

Ele, provavelmente, achando que aceitei Jesus em meu coração, Eu agradecendo por ele ter me dado um post de graça, nesses tempos em que ando com a cabeça tão em outro lugar que nem penso em blog.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009



Sabe, você parece estar tão sóbria. Tão absorta em realidade, eu disse. 
- Que nada, estou mesmo é fugindo dela.

Ah, ela está tão sóbria. Tão absorta em realidade. 



sábado, 17 de janeiro de 2009

Em resposta: o verão





Depois de três longos meses desde o último post que fiz, 36.519 moscas e 732 bolotas de feno ao melhor estilo western. Aqui estou, sentado na sacada por adorar um wi-fi, o sol já caindo de lado bem do jeito que deixa meu olho esverdeado. Esse verão foi bem melhor que o passado. Bem como pedi: sem tormenta, desmoronamento e tempestades (perdão aos catarinenses). E tem tanta coisa que nem sei bem por onde começar a dizer. Não que realmente haja tanta coisa assim, mas ainda há certa desorganização em minha mente quanto a. Ok.





-
Deitado na rede, ainda em Brasília, me lembrei de algo. Lembrança antiga, mas daquelas que sem se ver ficam guardadas com tanto carinho. Estávamos eu e minha mãe aguardando férias para ir a Goiás, como sempre. Quem já estava entre o brilho dourado da serra dizia só haver chuva e almôndegas, que a bisa sempre pede à cozinheira. Quando finalmente chegamos, não havia sinal d'água. Fazia aquele céu lindo tão raro de se ver, sem nuvem alguma, tão azul quanto meu daltonismo (que exagero!) me permitiu perceber. E aí a bisa nos disse vocês trouxeram o sol, com olho calmo e expressão serena de entendimento: há sempre quem nos traga sol.

-
Decidi me dedicar o máximo possível agora. A tudo, na verdade, mas a faculdade grita.
Veja bem: desperdicei um ensino médio que poderia ter sido fabuloso por emaranhado caótico de vida (não que esse emaranhado não me persiga até hoje), perdi PAS, perdi um vestibular por estar viajando e fugindo, como ainda tento fugir, perdi a chance de ser um exímio violinista por no começo desenvolver muito rápido e ficar acomodado achando que teria 14 anos pra sempre.
Não vou fazer a mesma coisa com a Arquitetura.

-
Ok de novo. Não consigo escrever decentemente agora, tento depois.



domingo, 12 de outubro de 2008

Considerações primaveris

1 - Do golpe


"No te engañó la primavera
con besos que no floreciéron?"


XLVI, Livro de las preguntas, Pablo Neruda.


Ou todas aquelas pequenas flores amarelas que só fazem cair. Há por toda Goiânia. E então uma rua-tapete de florescidas que só caem e passam.




2 - Da auto-sabotagem

Pior sempre é um coração partido que não teve por quem se partir.




3 - Da sorte


Acontece que, de vez em quando, quando aquelas flores estão caindo, aquelas lá da primeira consideração, quando aquelas flores estão caindo, caso se ponha bem na ponta dos pés, esticando bastante o corpo todo, os braços, quando aquelas flores estão caindo por sorte talvez se consiga segurar uma delas bem entre os dedos, meio escorregando de leve. Na ponta dos dedos mas então você se concerta, põe os dois pés no chão e a segura certa porém delicadamente na palma da mão. Ou pelo menos é isso que se espera.


-


Em relação à primavera penso não comentar mais nada [a não ser que algo de surja com relevante pedido]. Aí ficam pra daqui um tempo comentários de verão. Aí se entra na questão da expectativa: para esse, um pedido um pouco difícil de se esperar da vida. Sem exageros de chuva, nada de desmoronamentos ou catástrofes. Enfim.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Correção

Por justiça: a letra do experimento de composição é um poema. Um poema do Cazarim. E, por mais justiça ainda, posto aqui parte de:



Noturno

Todo céu de noites é
Roxo como um hematoma

As estrelas cintilando são
cínicas delicadezas de uma violência.



Pode-se ver que o hematoma real é só no tipo de catarse.
Tomba, Victor, tomba.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

obs.: meu post multimídia não funciona.

tópico primeiro - Pedantismo


Soube esses dias. 
"O céu parece um hematoma roxo." 
Imagine só! uma soprano cantando isso. Imagine uma soprano cantando isso numa linguagem musical incompreensível [não incompreesível no sentido de que, um dia, ainda será compreendida e que, agora, ainda não estamos preparados para; incompreensível no sentido de "meu deus, como alguém conseguiu escrever isso"]. Letra da própria compositora! 
Se eu fosse ela, acordaria to-dos-os-dias pensando como sou vanguarda. Mo-der-na.

Mas tentaria lembrar também de TANTA coisa. Como exemplo, que na década de 50 John Cage fez 4'33". A orquestra entra, o maestro entra. Primeiro movimento. Segundo, terceiro. Nenhuma nota. No final, larga a batuta, puxa o lenço e da testa limpa o suor. Nenhum hematoma nem na letra nem na música e, last but not least, muito menos na platéia. Nenhuma nota.

Muito mais vanguarda e muito mais moderno. Na década de 50. 
E de um bom gosto muito maior. 
[ainda acho que a música deve ter um efeito catársico na platéia. mas discutir essas coisas de conceito ok, fica pra próxima]

[e, como também sou moderno, rs, um post multimídia!]

terça-feira, 23 de setembro de 2008



"Donana Cabriola suspirou tão fundo que passou a andar encurvada."




sábado, 13 de setembro de 2008



às vezes a gente mendiga um pouco amizade por sei lá que razão.


quinta-feira, 4 de setembro de 2008



"My smile becomes a stone
And my chest is open in dreams
For knowing that one day
The world was lost in songs."


Technicolor, dia 6, Martim Cererê.




"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em qundo para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo."

Alberto Caeiro.


quarta-feira, 3 de setembro de 2008



Lyanna, me lembro sempre de você com este.

"A pesar de que el coronel Aureliano Buendía seguía creyendo y repitiendo que Remedios, la bella, era en realidad el ser más lúcido que había conocido jamás, y que lo demostraba a cada momento con su asombrosa habilidad para burlarse de todos, la abandonaron a la buena de Dios. Remedios, la bella, se quedó vagando por el desierto de la soledad, sin cruces a cuestas, madurándose en sus sueños sin pesadillas, en sus baños interminables, en sus comidas sin horarios, en sus hondos y prolongados silencios sin recuerdos, hasta una tarde de marzo en que Fernanda quiso doblar en el jardin sus sábanas de bramante, y pidió ayuda a las mujeres de la casa. Apenas habían empezado, cuando Amaranta advirtió que Remedios, la bella, estaba transparentada por una palidez intensa.
- ¿Te sientes mal? - le preguntó.
Remedios, la bella, que tenía agarrada la sábana por el otro extremo, hizo una sonrisa de lástima.
- Al contrario - dijo -, nunca me he sentido mejor.
Acabó de decirl, cuando Fernanda sintió que un delicado viento de luz le arrancó las sábanas de las manos y las desplegó en toda su amplitud. Amaranta sintió un temblor misterioso en los encajes de sus pollerines y trató de agarrarse de la sábana para no caer, en el instante en que Remedios, la bella, empezaba a elevarse. Úrsula, ya casi ciega, fue la única que tuvo serenidad para identificar la naturaleza de aquel viento irreparable, y dejó las sábanas a merced de la luz, viendo a Remedios, la bella, que le decia adiós con la mano, entre el deslumbrante aleteo de las sábanas que subían con ella, que abandonaban con ella el aire de los escarabajos y las dalias, y pasaban con ella a través del aire donde terminaban las cuatro de la tarde, y se perdieron con ella para siempre en los altos aires dondo no podían alcanzarla ni los más altos pájaros de la memória."


segunda-feira, 14 de julho de 2008


Conversando com o Beto, lembrei [não que, exatamente, já soubesse antes, mas é do tipo sabedoria popular, dito comum, aliás: óbvio] conversando com o Beto lembrei que quem não consegue decidir a própria vida faz um caos decidindo qualquer vida a dois.


terça-feira, 1 de julho de 2008



O fundo fica por conta da 10ª Sinfonia do Mahler. O quinto movimento, um finale Langsam, schwer, é de uma complacência com a morte linda de se escutar.
[não é um post suicida, mas tem uma dorzinha aqui por me sentir cansado como se tivesse grandes feitos sem ter absolutamente nada]


quarta-feira, 11 de junho de 2008

Café, coca e análise


A caminho de um café candidato ao cotidiano, tudo conspira: uma casa filha-da-puta de velha, a calçada de paralelepípedos filhos-da-puta de fora do lugar, uma rua filha-da-puta de escura. Tombei lindamente [Alexandrino beije meus pés!]. Como me disse Lyanna pouco mais tarde, a partir de certa idade é vergonhoso cair [e isso ela me disse, também!, com base empírica]. Compatível à minha vontade de ficar ali caído babando nas folhas secas da calçada [que tudo nessa época é seco]. Claro que não faltaram os cães latindo: um daqueles pequenos-irritantes [com exceção da Lolita!, um doce literário de cão] e outro daqueles enormes de latido rouco.

Na volta, o outro lado da rua super convidativo, e os cães latindo da mesma forma. Que-vidinha-chata, a deles.


segunda-feira, 9 de junho de 2008



"I could compare my music to white light which contains all colours. Only a prism can divide the colours and make them appear; this prism could be the spirit of the listener."
Arvo Pärt


terça-feira, 27 de maio de 2008



Penélope, querida fiandeira dos tempos, termine logo de tecer essas linhas. Querida e irônica Penélope. Penélope, Pe-né-lo-pe [não, não vou fazer algo meio Nabokov - preciso, aliás, ler esse livro].


sexta-feira, 23 de maio de 2008



Por algum motivo desconhecido, provavelmente precariedade de instalação ou sei lá o quê, o prédio inteiro do Veiga Valle hoje, à hora do nosso ensaio, estava sem iluminação. Foi, então, a orquestra inteira: cada um levando sua cadeira, estante, instrumento, partitura, tudo que fosse cabível para debaixo da mangueira do pátio.
Foi tão bonito, assim que se fez o primeiro compasso da Abertura do Festival Acadêmico [Brahms], o vento levando todas as partituras, que toda orquestra deve ter seu real momento de unidade, mesmo que irreconhecível.


Via Crucis



"Chorou um pouco. Era um belo homem, com barba por fazer e abatidíssimo. Via-se que havia fracassado. Como todos nós. Ele me perguntou se podia ler para mim um poema. Disse que queria ouvir. Ele abriu uma sacola, tirou de dentro um caderno grosso, pôs-se a rir, ao abrir as folhas.
[...]
- Se um dia me suicidar...
- Você não vai se suicidar coisa alguma, interrompi-o, porque é dever da gente viver. E viver pode ser bom. Acredite.
[...]
À porta ele beijou minha mão. Acompanhei-o até o elevador, apertei o botão do térreo e lhe disse: vá com Deus, pelo amor de Deus.
Entrei em casa, fui fechando as luzes, tomei o remédio para dormir. Lembrei que também disse: um dia mato alguém. Não é verdade, não acredito.
Tinha me falado num tiro de misericórdia.
Fiquei fumando, o cachorro me olhava no escuro. Como é que posso ser mãe para esse homem?, pergunto-me e não há resposta.
Não há resposta para nada."


segunda-feira, 28 de abril de 2008



"dizem que: a terra está tão quente e o ar tão seco que os mortos ficam ao meio caminho do céu."




sexta-feira, 25 de abril de 2008



Sentindo Santiago Nasar na pele e segurando as tripas no colo.


domingo, 20 de abril de 2008

do tipo que vai ser totalmente sem graça amanhã.


Raisa: Parei.
Victor: ...
Gustavo: ...

Raisa: ...
Victor: ?
Gustavo: ?

Raisa: ?
Victor: ?
Gustavo: ?

sexta-feira, 11 de abril de 2008



In der düsten Nacht schwebt ein schillerdes Phantom.
Und mein Geheimnis ist vershlossen in mir.
[só para continuar a leva de posts internacionais]




161, 5ª frase:
"Lo fuzilarán a medianoche en el cuartel para que nadie sepa quién formó el pelotón, y lo enterrarán allá mismo."


Pontuações

Relato de racionalização, sentimento ou quaisquer outras baboseiras que se queira acrescentar [coisa que, afinal, anda se fazendo muito].

1- [em resposta a] Que se diga e faça à liberdade que é dada a cada, mas algo é certo: alguma distância atual se deve a fatos momentâneos. Uma amizade de certo-bom tempo perdura "fatos atuais". Quando tudo acabar, pois sim: dizemos que há algo, então quando tudo acabar estaremos aqui, como os sempre-bons-amigos-apesar-de: ombros-choros.

[introdução à pontuação segunda em excertos da Bíblia do Caos, Millôr: 1: fofoca se deve espalhar logo, porque pode ser mentira; 2: quando passar muito tempo sem você saber de alguma fofoca desagradável a seu respeito, verifique bem: você pode ter morrido e esqueceram de lhe comunicar; 3 e mais importante: olha lá: uma fofoca imbecil querendo bancar escândalo.]
2- Chatea pelo levantamento hipócrita de coisas mortas. Chatea pela crença de absurdos ditos por bocas absurdas. Chatea pelo levantamento hipócrita de coisas mortas ditas absurdas por bocas absurdas. Chatea por amizades que soam vivas se minarem, contínuas, desconexas, arrebentadas. Suicídio lento [?] e planejado? Excessivo ócio criativo? Encobrimento de culpas com exaltações para as minhas? Chatea por bocas externas-mortas-sociais dizerem absurdos e os ouvidos [familiares?], vivos, escutarem atentos.

3- Alegra por haver quem seja alheio a isso tudo e diga: quanto aos absurdos, só creio naqueles que saem da tua própria boca.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Só para desabafar como as coisas mudam quando muda a pessoa.
E o quanto isso é revelador, claro.
=]

Lorenzetti e a fonte da verdade

Dormi na queen size da mamãe anteontem. Sozinho em casa, amém.
A torneira do chuveiro pouco aberta, uma goteira insuportável.
Não movi um só pé para me levantar e a fechar.
Que irritação!

Resolvi fazer Música, levantei e fechei a por-ca-ri-a da torneira.

quinta-feira, 27 de março de 2008

desconexão

- Raisa, vamos para São Paulo comigo em maio?
- Vamos!
- Eu falo sério ¬¬.
- Eu também!
- Sério?
- Sério!
- Ah, então tá. Você viu a programação do TacabocanoCD?

terça-feira, 25 de março de 2008

La fossa già scaviam per te, che vuoi sfidar l'amor!
Prima de questa aurora, io chiudo stanca gli occhi per non vederlo più.
Turandot,
Puccini.

terça-feira, 18 de março de 2008

A Sombra confia ao Vento o limite da espera
quando, dentro da noite, reclama o teu amor.
Acorda, vem ver a lua
que dorme na noite escura, que surge tão bela e branca
derramando doçura, clara chama silente
ardendo meu sonhar.
Melodia Sentimental,
Villa-Lobos.

segunda-feira, 10 de março de 2008

trip hop from hell

Eu nunca sonharia que Portishead poderia ser pior em alguma situação.
Inocente, fui, anteontem, colocar o dvd que ele me deu. Que ele. Humming, primeira música.
Humming, meo. Aquela, do primeiro clipe do primeiro dia do primeiro beijo.
Eu nunca sonharia que Portishead poderia ser pior em alguma situação.
Inocente, humming & numb.
Eu nunca sonharia tanta coisa.

segunda-feira, 3 de março de 2008

prévia


Próximo post:

como esse blog perdeu nível & como estou descompassado
ou
como esse blog se tornou algo tipo "diário de uma princesa" & como estou descompassado
ou 
como esse blog virou alguma coisa teen problemas de relacionamento & como estou descompassado
ou 
nem haverá outro post logo [coisa mais provável diante das outras alternativas].



não, não, nada disso.
é vontade de que algo funcione. De que algo nessa nhen de vida dê certo.

mas de quê adianta? nem depende da gente. 
foda


cara, simplesmente não entra na minha cabeça.
COMO?

que bobeira, meo.
essa coisa de levar com humor, ahn, a gente continua tentando.

da minha parte, um pouco de sado-mazô, só pode.


Matéria ingrata

Aquela coisa vai-volta. Ação e reação. Newton, também? Nunca fui bom em física.
A questão é: mão beijada demais nunca funciona. Nunquinha.

Por que simplesmente não se vai vivendo?
indo, sempre se chega a algum lugar. O problema seria esse? Chegar a?

3/4      5/16  
     2/2                            3/4        

                  6/8   

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008


a pessoa sem o que realmente escrever
 vai e enche o blog de abobora sentimental


repeat please2

aquela velha coisa de deslumbre e desalinho

um 3/4, dois  5/16, alguns  2/2, volta num 3/4, passa pra 6/8.
isso chama arritmia cardiaca.


repeat please

Dai que a gente vai levando tudo com certo humor mesmo que negro. Conta que: estou tentando.

tentando & doendo & sindrome Abreu.

que dragoes nao conhecem o paraiso


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

eu nunca me arrependo, entende?
nunca me arrependo de cair de cara.

tem algo errado nisso.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

tutti da capo al fine, assim como deve ser
que a gente realmente vai levando as coisas com certo humor
me auto-destruir, pleonasmo vicioso, vi'cio de linguagem
     veja como quiser, linguagem vi'cio 
lingua vi'cio
lingua boca mente pele vi'cio
veja ai'

Apelo

Aquela coisa boba de vibracao, certo? Bobeiras de vibe, ahn? merda
Ai' que nao sai'a Me and Mr. Jonnes da minha cabeca. Primeira estrofe ainda, acho.

Absoluta certeza que foi por isso. Ondinha errada. Ma's vibracoes. So' pode.
So'.

incenso maome reza thor sacrificio e vela preta buda oxum buzios taro quaquer coisa

Andante ostinato




A gente vai levando, tentando ver as coisas com certo humor.




mas ficar em casa m-e-s-m-o nunca resolve nada
a gente acaba saindo em sol e chuva

Barreiro

Nesses tempos de chuva a gente acaba sem muita sorte [coisa de crendice non sense, para variar: sol humor gente bonita tudo certo beleza pura], e Entao nesses tempos de chuva a gente acaba sem muita sorte.
Desmoronamento, soterramento, desabamento. Terra, terra.
Enfim.

So' que chuva de verao tem essa vantagem: se chove toda e depois sai aquele sol de lascar. Sol de lascar em hemisferio sul, por favor me respeite,
cega queima
arde
irrita doi
cancer
machuca

No final das contas deve ser melhor mesmo e' ficar dentro de casa.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Lembrete-resposta



                              aquele segundo, o que nao se viveu la um pouco atras, aquele segundo se retomou em um deslumbre so


deslumbre e desalinho.


[que essa de andar de coracao certo nao funciona muito desde, ahn, desde]




zero a esquerda em computacao.


[ainda nao consegui colocar os acentos desse teclado]




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Missa

a questao e: 
sempre se exige mais que se pode,
sempre se pede mais que se deve, 
sempre se cobra mais que o possivel, 
sempre se da menos que se pede, 
sempre se ignora o que se cobra, 
sempre se pode menos que se exige,

sempre falta algo que nao,
bote atras doutro, e
o problema e: 
sempre e preciso, tambem, precaucao: alem de cobrar, pedir, exigir e ignorar, se morre.
Importante.

Isso nuca soa la muito agradavel.

Nota familiar




Quem nunca disse
                       "lar, doce lar", 
por maior que seja essa amargura que trava lingua?




quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Notas visuais

Para registrar a impressao de El Templo Expiatório de la Sagrada Familia.

Sabe aquela cor, um marrom sujo de tempo e desgaste, aquele marrom e aquele formato.
Aquele marrom sujo de tempo e desgaste e aquele formato, ou aqueles formatos que uma mente criativa, ou louca, chame como quiser, ou aqueles formatos que uma mente criativa e louca se repete pouco, aquele marrom sujo de tempo e desgaste e todos aqueles formatos fazem achar:

El Templo se ergue por forca divina.
Nasce do firmamento e sobe ate o azul que e o ceu de Barcelona, mesmo no inverno.
Nasce e diz: entra, olha a grandeza do deus. Reza, confessa, que, quando a ultima beira do Trono na Terra sentir o ar, os arcanjos dos portais soarao as trombetas. Reza, e a besta de sete cabecas surgira' dos oceanos; implora.





O.k., deixando de viagem, que isso foi suficiente para um ano todo: tudo isso seria maravilhosamente assombroso caso eu fosse religioso.
Como nao, =], digo que Gaudi sabe impressionar. Sabe trasmitir a mensagem de fe atraves do seu projeto maximo. Ou que nao de fe, de grandeza. E sabia exatamente o que qualquer um sentiria aos pes da sua obra ainda inacabada: a pequenez do homem.

Agradecimento

Voltando la atras. Muito atras. Ou nem tanto, quase nao escrevo nesse blog. Mas entao, voltando la no primeiro post: ressalto para o fato de eu sempre esquecer.

Pois que milagres acontecem e a unica coisa que faco agora e lembrar.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Nota

Para constar que nunca foi tao feliz escutar a voz de alguém.

Desalinho

Preguiça enorme de postar desde que cheguei no Velho Mundo. Ainda mais com esse teclado sem agudo, til, cedilha etc etc. Agora que achei um teclado COM tudo isso, amém, vou escrever. Estava, sim, procrastinando.

Mas depois de ontem à noite, nao deu.
Dividindo o quarto com outras 11 pessoas, tentando ignorar o ronco de um senhor portugues que faz nao sei o que em um hostel, tentando ignorar o casal de franceses que achava estarem todos dormindo, tentando ignorar tudo isso: a imagem de cada canto de boca, de cada olhar, de cada momento, de cada detalhe vagarosamente buscado na memória. Na melhor as memórias dos últimos tempos.

Porque isso, em volta de tanta maravilha, em volta de Gaudí, Dalí, Calatrava, porque isso é o meu desalinho. Tento nunca repetir títulos, às vezes acho der, mas agora nao deu.

Você é meu desalinho, meu bonito desalinho no primeiro mundo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Vida

Amanhã parto em direção a um sonho.
Amanhã parto outro sonho ao meio.

À volta, me aguardam as mãos que acalmam e que poderão tratar o mal do segundo de vida que não se viveu.
Amém.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Amy

que a Winehouse, apesar de porra-louca, une.
"Meet you down stairs [...]"
Ficou a dica.

sábado, 22 de dezembro de 2007

"Não consigo dormir, tenho uma mulher atravessada nas pálpebras."

Fica a dica.
Fica a dica, always.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

[só comentando]

Sabe que: quando algo inesperado te acontece, é tão melhor. Fato.
Falta uma semana para eu sair da Terrinha. [apesar de]
E também apesar de, a gente vai vivendo.

Deus-orkut

Sorte de hoje: esqueça os problemas e seja feliz.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Engana que não gosto

Sabe quando acontecem enganos? Uma pessoa diz uma coisa que a outra disse tal que a fulana falou aquilo?
Pois então: nem conheço uma tal de Pandora e ela já está me causando problemas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

"[...] e entre genialidade e loucura, o abismo do peso da tristeza materna [...]"

só que: às vezes tenho a impressão de que mãe adora não entender as coisas, adora dramatizar, adora exagerar, adora continuar vendo por outro lado.
adora dizer: "eu falhei" sendo que falhou nada. Mas elas sabem que isso afeta.
Que-merda.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Galeando Galeano

"Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara."
"Pelos caminhos eu vou, como o burrinho de São Fernando, um pouquinho a pé e outro pouquinho andando.
Às vezes me reconheço nos demais. Me reconheço nos que ficarão, nos amigos abrigos, loucos lindos de justiça e bichos voadores da beleza e demais vadios e mal cuidados que andam por aí e que por aí continuarão, como continuarão as estrelas da noite e as ondas do mar. Então, quando me reconheço neles, sou o ar aprendendo a saber-me continuado no vento.
Acho que foi Vallejo, César Vallejo, que disse que às vezes o vento muda o ar.
Quando eu já não estiver, o vento estará, continuará estando."

sábado, 1 de dezembro de 2007

Elogio

Não, nada de Erasmo, amém, que isso nada tem com Moria, Stultitia nem nada, ou talvez tenha, mas é que não deixa de ser um elogio. A quê eu ainda estou tentando descobrir. À vida, talvez, à falta dela, quem sabe.
A falta de graça é que, num tal momento em que eu deveria estar rindo mais que o normal, me divertindo mais que o normal e brindando como sempre, na verdade segurava o choro até doer a garganta para não soluçar.
Minha sorte de hoje do deus-orkut diz que tenho a cabeça aberta. Como, e como, eu queria ser fechado nesse momento, tentar não entender as coisas, não ver quão triste é furacão de pedra em que me [nos] encontro [amos]. Na natureza ainda é bonito, mesmo que ainda se levante uma casa ou outra ou se arranque pelas raízes uma árvore. O meu soterra, empedra, fura, engole, vê.
Como sempre achei, mesmo não sendo idéia originalíssima, ver sempre é pior. Quando a gente precisa ser míope, nem pensar, certo? Então que é a frustração do dia de ontem. Acontece esporadicamente, mas a noite passada foi de tirar o fôlego.
Eu sentado na sacada e a vida acontecendo como nunca. É de se ver que as coisas mais simples do mundo podem valer uma tarde de choros e pesares.
Sabe que o que mais dói é saber que não se pode fazer nada a respeito. Ou se pode, mas e daí?
Sobre ela, que ontem reapareceu do nada na casa, digo que nunca tive visão de tão triste beleza. Como minha esfinge, tenho que te confessar: doeu lá no fundo de seja lá que coisa tenho em mim. Como entender um brilho que se faz tão opaco? É de tanto não suportar "inconstância de vida"? Que se há algo que se pode não-dizer a vida é isso: constante. E num desses momentos de interrompimento, num desses "hiatos", admito, é que me veio luz. A benfeitoria dessa coisa de cortes.
E outras, muitas outras coisas me vieram ontem à noite. Parecerá idiotice tentar escrever tudo aqui. Já é bobagem tentar descrever uma parte de ontem. Tantas linhas e não consigo transpassar nada do que foi.
Mas enfim, acabou sendo elogio à descoberta.

Que se encontre a cabeça de Midas, pois a minha: vai saber.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

só para constar o orkut ser incrível:
Sorte de hoje: Quando chegar o inverno, os céus mandarão chuvas de sucesso para você.

até parece que ele adivinhou que acabei de comprar minhas passagens.

domingo, 18 de novembro de 2007

Nota Européia

[a primeira parte de muitas outras notas que irão vir, amém]

*

Cerrado de cú é rola.

*

E enquanto algumas pessoas patinarão naquela bofera do shopping, me divirto pensando que vou usar algum lago congelado da Alemanha ou Áustria ou República Tcheca ou Hungria [que fique à escolha].

*

Voltarei a pessoa mais insuportável do mundo.
Na orquestra: "aah, vc comprou o dvd do Messiah com a BPO e o Rattle? Ah, sim... estava lá nesse concerto."
Nas conversas: "pô, legal, vc fez uma tatuagem! Bom, né? Também fiz uma, lá em Berlin."
Nos bares, brincando: "eu nunca peguei alguém na Alemanha [bebo], nem na França [bebo], ... ... ..."

*

A despedida, no aeroporto:
Mãe, não precisa chorar, são só dois meses... ASIUFHISULAFHULISAFHUILSAHFUA.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Para desentender

"Que seja morto de morte natural pra sempre na forca."


Nem de longe. Dá certo não.
No fim das contas, Anna das ruas largas.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Semana

Descobrir quão rápido um sorriso se fecha é péssimo. Ainda mais vindo de quem vem, veio, virá, vai saber. Para provar que no princípio, além de céu e terra, já se fez a falta, a falha, a saudade por ter sido um dia diferente dos outros e a vontade de somente tomar um capuccino. Estranho saudar rotina.
De simples soa bobo, mas devemos lembrar que um abismo pode ser visto como simples fim de terra. Se consta então o fato de qualquer simples se fazer fim de nós.
Péssima segunda, mal espero pelo resto da semana.

sábado, 3 de novembro de 2007

Como ia dizendo

Depois de boa data sem lembrar da existência disso, venho para fazer apontamentos gerais sobre ocorridos. Pouco compreensíveis se lidos por fora.
Mas então:

Saquei tudo. Mel nunca mais, tsc tsc, nunquinha, nem com leite e muito menos com aveia.

*

No príncípio, deus criou o céu, a terra e alguma coisa que eu esqueci o que. Foram muitas variações, Lyanna me ajude.

*

Puff, puff, puff. Uns 3 milhões a menos.

*

Perfeito. Mas Hyper-ballad seguida de Pluto já é sacanagem.

*

Jack Johnson já esteve mais em voga, mas se mostrou de fácil retorno.

*

Não permitir que Nayara converse com estranhos. Muito menos aqueles com mais de 90kg ou quarentões maníacos.

*

Coisas a ainda serem lembradas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Nota metereológica







Depois de tal filhadaputagem, cheguei em casa quase que carregado involuntariamente por essa ventania que abateu a Terrinha. O teclado do computador nesse momento está praticamente vermelho de pó, que essa base morta de cerrado nem pra ser preta ou roxa [e isso ainda seria esperar muito dessa cidade?, que se faz tão própria a terras roxas? absurdo]

E hoje choveu dum tanto que não há muito, apesar do céu aparentemente [aliás: de fato] límpido. Límpido de nuvens porque, como disse, ventou, ventou, ventou e o céu ficou vermelho de coração e poeira.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Precaução

ok.
O Orkut acaba de me predizer uma velhice saudável e com riqueza material.

Só não sei se tenho que começar a tomar cuidado com a rua agora ou daqui a uns anos.

Apanhado

Um geral literário de o que acabei sendo ou tendo para dentro.

Pois que acabou em mim:

Manfred Zackheim, vá para o inferno.
Alec Guideon, está demitido.
Antoine, me tornei estúpido.
Jean-Baptiste Grenoille, devorado de beleza e amor.
Carlos Eduardo da Maia: amo-a, amo-a.
Chicó: só sei que foi assim.
Amaro, tu és meu amor e meu ódio.
A velha, feliz aniversário.
Sou o ovo que se quebra.
Ilana, apague o fogo do meu inferno.
A abolição do eu: a era anterior ao nascimento e posterior à morte.
Sou Alice: que direção devo tomar?
e gato: só depende de onde quer chegar.
- A qualquer lugar.
- Pois que não importa que caminho tomar.
Read the directions. Directly you'll be directed to the right direction.
Sou o ar: me entro nos pulmões neste momento e me torno o mais íntimo que serei de mim.
João da Ega, morte às beatas!
e Maria Monforte: coitado, vai ficar encharcado.
Olívio, fiz pensando em você.
Dom Pedro, por quê fazer o vão da ponte muito maior que a largura do rio?
Macabéa, me predirão casacos de pele e morrerei assim que sair à rua.
Malone: vou consultar meu espírito destinado à ruína e ao fracasso, e o mundo por fim abre seus grandes lábios e me deixa partir.
Quintana,

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, não fora
A presença distante das estrelas!

E por que não Hagar?: a lua é grande bola de queijo.
Millôr, devora-me ou te decifro.
Pessoa: não sou e, pensando, tenho o trono. Não querendo, desejando, tenho a coroa.
Bento, fui ou não fui?
Eduardo Marciano, faço da interrupção um novo caminho e da queda um passo de dança.
Ulisses, tenho a voz lenta e arrastada por sofrer de vida e de amor, e penso o seguinte:
Sou Lóri, me canso por não parar de ser.
Viramundo: Après moi, lê déluge!, L’État c’est moi, Le leon estroi dês animales.
Sou Remedios, a Bela, pessoa mais lúcida desta casa [segundo o coronel Buendía].
Aureliano Babilônia, trago comigo o fim de Macondo.
Sou a friagem, dê-me borboletas e as comerei.


Sou o sol que me seca,
a lágrima para dentro.
O cosimento: a flor de lis.
 

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